Aqui vai mais um contributo para o "nosso" Blogue.Uma canção que retrata momentos que nos foram familiares em Caboxanque.
M. Teles
http://www.youtube.com/watch?v=KRVNbVeXq0M
Bem-vindos ao blog da COMPANHIA DE CAVALARIA 8352. Pretendemos com este espaço recordar os camaradas e amigos com quem ao longo de 2 anos vivemos com enormes dificuldades e que nos permitiu criar um laço familiar que hoje e aqui queremos manter e até reforçar... Se possuires material que queiras ver publicado no nosso blog, por favor envia o mesmo para: ccav8352@sapo.pt ou landim2@sapo.pt
quarta-feira, 30 de junho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
PTSD (posttraumatic stress disorder)
COMO É QUE A PTSD AFECTA A FAMÍLIA?
Comportamento de evitamento – Não falar, não pensar, não sentir e não confiar resume os principais comportamentos de evitamento – a companheira na tentativa de manter a coesão e funcionamento da família, exibe muitos dos mesmos sintomas, incluindo evitar aborrecê-lo ou incomodá-lo e acabando no processo, por se anestesiar emocionalmente.
Depressão – a maioria dos traumatizados, e sobretudo veteranos de guerra, encontra-se cronicamente deprimida, com baixa auto-estima, sentindo-se frequentemente rejeitada pelos outros, as parceiras dos veteranos ao preocuparem-se com os problemas dos outros, aumentam a ansiedade e sensação de desesperança apresentando baixa auto-estima.
Alienação e Isolamento – no caso dos veteranos de guerra, a companheira frequentemente queixa-se do isolamento que o veterano impõe à relação marital exigindo que o casal não saia de casa, evitando qualquer interacção com os outros e ressentindo as interacções que aquela possa iniciar. A alienação manifesta-se sobretudo em termos da incapacidade de apreciar e sentir as alegrias da vida.
Suicídio // Uso de Substâncias // Violência. Desconfiança // Ira – nos veteranos de guerra, existe muito a sensação de que foi traído. Este sentimento está associado à sensação frequente de que o inimigo está em todo o lado, podendo levar o veterano a remeter a sua ira para alvos que lhe estão mais perto e disponíveis como é o caso da esposa e dos filhos… muitas vezes, os familiares não sabem quando o veterano está a experienciar as suas memórias do trauma que habitualmente o fazem entrar em «piloto automático», desligar e ter comportamentos desadequados.
Embotamento Afectivo – O embotamento afectivo é o reverso da ira e consiste numa estratégia de coping que tem como consequência um afastamento e a não expressão de sentimentos de afectos em relação ao companheiro/a e/ou filhos. Este grau de distância permite, assim, lidar com a intolerância de qualquer aproximação emocional, o que implica que nestas famílias não existe expressão de afectos e a família possa ser descrita como «congelada».
PTSD E DINÂMICA CONJUGAL NOS VETERANOS DE GUERRA - As companheiras dos veteranos de guerra manifestam sintomas de somatização, depressão, problemas obsessivo-compulsivos, ansiedade, ideação paranóica, hospitalidade e dificuldade no funcionamento social… São também as esposas que aprendem a reconhecer o «gatilho» que precede os comportamentos erráticos dos medos e flashbacks do veterano de forma a poderem proteger os filhos. Este estudo ressalva o sofrimento da esposa do veterano e enfatiza a necessidade de a intervenção não ignorar este aspecto para que a probabilidade de a esposa responder ao veterano de uma forma que o possa retraumatizar, reforçando assim o seu distress, possa ser reduzida. Assim, toda a intervenção psicológica que se foque exclusivamente no traumatizado e ignore o contexto interpessoal reduzirá as possibilidades de êxito.
PTSD E CRIANÇAS - Em famílias com veteranos de guerra traumatizados, assiste-se muitas vezes a um isolamento das crianças porque o pai não consegue lidar com a pressão que tal acarreta, o que leva as crianças a sentirem-se indesejadas e inadequadas. Por sua vez, as mães tentam compensar, assistindo-se muitas vezes a um processo de emaranhamento… nestas famílias é também muito comum a presença de criticismo verbal que torna a relação com o pai ainda mais complicada se da parte do veterano existe uso de substâncias ou violência na família. Por sua vez, as crianças que sofrem de traumatização secundária podem assumir o papel de «salvador», e que tem como função manter o pai feliz fazendo desta forma uma aliança com este, o que poderá posteriormente trazer problemas sobretudo na adolescência quando começar a necessitar de se afastar e sentir que não o pode fazer porque tem de cuidar emocionalmente do pai. As crianças com traumatização secundária podem apresentar sentimentos ambivalentes em relação aos seus pais, sobretudo ao nível das lealdades, baixa auto-estima, problemas de rendimento escolar e de relacionamento interpessoal.
Enviado por: António Pinto Ramos
Comportamento de evitamento – Não falar, não pensar, não sentir e não confiar resume os principais comportamentos de evitamento – a companheira na tentativa de manter a coesão e funcionamento da família, exibe muitos dos mesmos sintomas, incluindo evitar aborrecê-lo ou incomodá-lo e acabando no processo, por se anestesiar emocionalmente.
Depressão – a maioria dos traumatizados, e sobretudo veteranos de guerra, encontra-se cronicamente deprimida, com baixa auto-estima, sentindo-se frequentemente rejeitada pelos outros, as parceiras dos veteranos ao preocuparem-se com os problemas dos outros, aumentam a ansiedade e sensação de desesperança apresentando baixa auto-estima.
Alienação e Isolamento – no caso dos veteranos de guerra, a companheira frequentemente queixa-se do isolamento que o veterano impõe à relação marital exigindo que o casal não saia de casa, evitando qualquer interacção com os outros e ressentindo as interacções que aquela possa iniciar. A alienação manifesta-se sobretudo em termos da incapacidade de apreciar e sentir as alegrias da vida.
Suicídio // Uso de Substâncias // Violência. Desconfiança // Ira – nos veteranos de guerra, existe muito a sensação de que foi traído. Este sentimento está associado à sensação frequente de que o inimigo está em todo o lado, podendo levar o veterano a remeter a sua ira para alvos que lhe estão mais perto e disponíveis como é o caso da esposa e dos filhos… muitas vezes, os familiares não sabem quando o veterano está a experienciar as suas memórias do trauma que habitualmente o fazem entrar em «piloto automático», desligar e ter comportamentos desadequados.
Embotamento Afectivo – O embotamento afectivo é o reverso da ira e consiste numa estratégia de coping que tem como consequência um afastamento e a não expressão de sentimentos de afectos em relação ao companheiro/a e/ou filhos. Este grau de distância permite, assim, lidar com a intolerância de qualquer aproximação emocional, o que implica que nestas famílias não existe expressão de afectos e a família possa ser descrita como «congelada».
PTSD E DINÂMICA CONJUGAL NOS VETERANOS DE GUERRA - As companheiras dos veteranos de guerra manifestam sintomas de somatização, depressão, problemas obsessivo-compulsivos, ansiedade, ideação paranóica, hospitalidade e dificuldade no funcionamento social… São também as esposas que aprendem a reconhecer o «gatilho» que precede os comportamentos erráticos dos medos e flashbacks do veterano de forma a poderem proteger os filhos. Este estudo ressalva o sofrimento da esposa do veterano e enfatiza a necessidade de a intervenção não ignorar este aspecto para que a probabilidade de a esposa responder ao veterano de uma forma que o possa retraumatizar, reforçando assim o seu distress, possa ser reduzida. Assim, toda a intervenção psicológica que se foque exclusivamente no traumatizado e ignore o contexto interpessoal reduzirá as possibilidades de êxito.
PTSD E CRIANÇAS - Em famílias com veteranos de guerra traumatizados, assiste-se muitas vezes a um isolamento das crianças porque o pai não consegue lidar com a pressão que tal acarreta, o que leva as crianças a sentirem-se indesejadas e inadequadas. Por sua vez, as mães tentam compensar, assistindo-se muitas vezes a um processo de emaranhamento… nestas famílias é também muito comum a presença de criticismo verbal que torna a relação com o pai ainda mais complicada se da parte do veterano existe uso de substâncias ou violência na família. Por sua vez, as crianças que sofrem de traumatização secundária podem assumir o papel de «salvador», e que tem como função manter o pai feliz fazendo desta forma uma aliança com este, o que poderá posteriormente trazer problemas sobretudo na adolescência quando começar a necessitar de se afastar e sentir que não o pode fazer porque tem de cuidar emocionalmente do pai. As crianças com traumatização secundária podem apresentar sentimentos ambivalentes em relação aos seus pais, sobretudo ao nível das lealdades, baixa auto-estima, problemas de rendimento escolar e de relacionamento interpessoal.
Enviado por: António Pinto Ramos
domingo, 20 de junho de 2010
Fotos Convivio YOUTUBE
FOTOS: PEDRO SILVA
http://www.youtube.com/watch?v=S7B6sGXHnRg
FOTOS: QUIM MONTEIRO
http://www.youtube.com/watch?v=t6WvOKhKyzg
http://www.youtube.com/watch?v=S7B6sGXHnRg
FOTOS: QUIM MONTEIRO
http://www.youtube.com/watch?v=t6WvOKhKyzg
segunda-feira, 14 de junho de 2010
DIÁRIO DE GUERRA
O meu muito obrigado ao Furriel Teles (Camarada que nunca poderei esquecer), pelo envio de uma cópia do seu DIÁRIO DE GUERRA, aqui vão digitalizadas as primeiras páginas.
sábado, 12 de junho de 2010
UMA SECÇÃO DO 3.º PELOTÃO
Uma secção do 3.º pelotão junto da tabanca onde viviam.
Em pé: Rodrigues, Chamusca, Teles, Leitão, Martins e Albino
À frente: Cabceura, Baptista e Gil com o seu gato ao colo.
Foto enviada pelo Furriel Teles.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
MENSAGEM DO CAMARADA DOMINGOS ALVES
Meus caros amigos e companheiros:
Na impossibilidade de estar presente, como tanto desejaria, nesse convívio de todos nós, aqui venho deixar-vos um grande abraço de amizade, nas pessoas do furriel Dinis Nogueira e do alferes Carneiro, amigos com quem mais tenho contactado via telemóvel.
Entre muitas alegrias e algumas tristezas, sempre permanecerá a forte ligação afectiva, misturada com uma saudade que por certo a todos nos invade. Com efeito, não esquecerei jamais o dia 11 de Outubro de 1973 quando, meio aturdido pelo cheiro da catinga, aterrei em Bissau para, daí a dias, voar até Caboxanque a fim de, em rendição individual, substituir o alferes Pratas e Sousa, entretanto requisitado, se bem me lembro, para a "guerra do ar condicionado" da emissora nacional de Bissau.
Recordo Cadique, sede do batalhão e a famosa estrada asfaltada que a ligava a Jemberém, onde infelizmente alguns dos nossos tombaram para sempre...
Recordo, com profunda tristeza, aquele dia maldito em que, flagelados pelo IN, pereceram os dois únicos mortos da nossa Companhia, um dos quais o nosso cozinheiro Yasalde, grande sportinguista como eu.
Recordo, também, aquele terrível "embrulhanço" de Bedanda, durante todo o dia, e onde o IN se deu ao "desplante" de até utilizar viaturas blindadas...O que o Miguel Champalimaud passou nesse dia a ripostar com a artilharia pesada, meu Deus... Claro, no dia seguinte, quando lá foram passar a "vistoria", os de Caboxanque já só viram, entre outras "lembranças",alguns restos de cigarros e muitas latas de conserva vazias de origem checa...
Mas também me lembro de algumas coisas engraçadas como aquela em que, "periquito" de Caboxanque, o sargento Teixeira, feito capitão, me "convidou" a penicar arroz crú, com o capitão, feito sargento, mai-lo resto da malta a rir até às orelhas... Enfim, pequenas "desgraças" de um novato alferes que, por acaso, até já estava habituado e estas e outras praxes do género, aquando da vida académica na universidade; por isso alinhou, creio que bastante bem, no belo festim que os "velhinhos" tão simpaticamente lhe souberam preparar...
Já agora, também não posso esquecer as saborosas "tainas", que fazíamos quando algum "cumba" se distraía ao passar à "nossa porta" e levava com um "balásio" do sentinela brincalhão; coisas de quem anda na guerra...
Ou, ainda, as excelentes petiscadas de coxas de rã e batata frita aos cubos preparadas por quem tão bem percebia do assunto...
Enfim, coisas do "arco da velha", de que a gente nunca mais se esquece.
E por hoje aqui me fico, com um abração para todos vós: cap. Pedro Silva, alf.Carneiro, alf. Duarte,sargento Teixeira e todos os outros de cujo nome não me lembro.
Junto seguem, digitalizados, o nome e as direcções da época relativas aos soldados do 1º pelotão, os meus queridos soldados, escritos pelo punho deles, e de quem brevemente espero novidades.
Domingos de Silva Alves, licenciado em línguas clássicas e professor do ensino secundário aposentado (Braga).
Telemóvel : 919454052
Na impossibilidade de estar presente, como tanto desejaria, nesse convívio de todos nós, aqui venho deixar-vos um grande abraço de amizade, nas pessoas do furriel Dinis Nogueira e do alferes Carneiro, amigos com quem mais tenho contactado via telemóvel.
Entre muitas alegrias e algumas tristezas, sempre permanecerá a forte ligação afectiva, misturada com uma saudade que por certo a todos nos invade. Com efeito, não esquecerei jamais o dia 11 de Outubro de 1973 quando, meio aturdido pelo cheiro da catinga, aterrei em Bissau para, daí a dias, voar até Caboxanque a fim de, em rendição individual, substituir o alferes Pratas e Sousa, entretanto requisitado, se bem me lembro, para a "guerra do ar condicionado" da emissora nacional de Bissau.
Recordo Cadique, sede do batalhão e a famosa estrada asfaltada que a ligava a Jemberém, onde infelizmente alguns dos nossos tombaram para sempre...
Recordo, com profunda tristeza, aquele dia maldito em que, flagelados pelo IN, pereceram os dois únicos mortos da nossa Companhia, um dos quais o nosso cozinheiro Yasalde, grande sportinguista como eu.
Recordo, também, aquele terrível "embrulhanço" de Bedanda, durante todo o dia, e onde o IN se deu ao "desplante" de até utilizar viaturas blindadas...O que o Miguel Champalimaud passou nesse dia a ripostar com a artilharia pesada, meu Deus... Claro, no dia seguinte, quando lá foram passar a "vistoria", os de Caboxanque já só viram, entre outras "lembranças",alguns restos de cigarros e muitas latas de conserva vazias de origem checa...
Mas também me lembro de algumas coisas engraçadas como aquela em que, "periquito" de Caboxanque, o sargento Teixeira, feito capitão, me "convidou" a penicar arroz crú, com o capitão, feito sargento, mai-lo resto da malta a rir até às orelhas... Enfim, pequenas "desgraças" de um novato alferes que, por acaso, até já estava habituado e estas e outras praxes do género, aquando da vida académica na universidade; por isso alinhou, creio que bastante bem, no belo festim que os "velhinhos" tão simpaticamente lhe souberam preparar...
Já agora, também não posso esquecer as saborosas "tainas", que fazíamos quando algum "cumba" se distraía ao passar à "nossa porta" e levava com um "balásio" do sentinela brincalhão; coisas de quem anda na guerra...
Ou, ainda, as excelentes petiscadas de coxas de rã e batata frita aos cubos preparadas por quem tão bem percebia do assunto...
Enfim, coisas do "arco da velha", de que a gente nunca mais se esquece.
E por hoje aqui me fico, com um abração para todos vós: cap. Pedro Silva, alf.Carneiro, alf. Duarte,sargento Teixeira e todos os outros de cujo nome não me lembro.
Junto seguem, digitalizados, o nome e as direcções da época relativas aos soldados do 1º pelotão, os meus queridos soldados, escritos pelo punho deles, e de quem brevemente espero novidades.
Domingos de Silva Alves, licenciado em línguas clássicas e professor do ensino secundário aposentado (Braga).
Telemóvel : 919454052
quarta-feira, 12 de maio de 2010
sexta-feira, 7 de maio de 2010
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