segunda-feira, 17 de maio de 2010

MENSAGEM DO CAMARADA DOMINGOS ALVES

Meus caros amigos e companheiros:




Na impossibilidade de estar presente, como tanto desejaria, nesse convívio de todos nós, aqui venho deixar-vos um grande abraço de amizade, nas pessoas do furriel Dinis Nogueira e do alferes Carneiro, amigos com quem mais tenho contactado via telemóvel.

Entre muitas alegrias e algumas tristezas, sempre permanecerá a forte ligação afectiva, misturada com uma saudade que por certo a todos nos invade. Com efeito, não esquecerei jamais o dia 11 de Outubro de 1973 quando, meio aturdido pelo cheiro da catinga, aterrei em Bissau para, daí a dias, voar até Caboxanque a fim de, em rendição individual, substituir o alferes Pratas e Sousa, entretanto requisitado, se bem me lembro, para a "guerra do ar condicionado" da emissora nacional de Bissau.

Recordo Cadique, sede do batalhão e a famosa estrada asfaltada que a ligava a Jemberém, onde infelizmente alguns dos nossos tombaram para sempre...

Recordo, com profunda tristeza, aquele dia maldito em que, flagelados pelo IN, pereceram os dois únicos mortos da nossa Companhia, um dos quais o nosso cozinheiro Yasalde, grande sportinguista como eu.

Recordo, também, aquele terrível "embrulhanço" de Bedanda, durante todo o dia, e onde o IN se deu ao "desplante" de até utilizar viaturas blindadas...O que o Miguel Champalimaud passou nesse dia a ripostar com a artilharia pesada, meu Deus... Claro, no dia seguinte, quando lá foram passar a "vistoria", os de Caboxanque já só viram, entre outras "lembranças",alguns restos de cigarros e muitas latas de conserva vazias de origem checa...

Mas também me lembro de algumas coisas engraçadas como aquela em que, "periquito" de Caboxanque, o sargento Teixeira, feito capitão, me "convidou" a penicar arroz crú, com o capitão, feito sargento, mai-lo resto da malta a rir até às orelhas... Enfim, pequenas "desgraças" de um novato alferes que, por acaso, até já estava habituado e estas e outras praxes do género, aquando da vida académica na universidade; por isso alinhou, creio que bastante bem, no belo festim que os "velhinhos" tão simpaticamente lhe souberam preparar...

Já agora, também não posso esquecer as saborosas "tainas", que fazíamos quando algum "cumba" se distraía ao passar à "nossa porta" e levava com um "balásio" do sentinela brincalhão; coisas de quem anda na guerra...

Ou, ainda, as excelentes petiscadas de coxas de rã e batata frita aos cubos preparadas por quem tão bem percebia do assunto...

Enfim, coisas do "arco da velha", de que a gente nunca mais se esquece.

E por hoje aqui me fico, com um abração para todos vós: cap. Pedro Silva, alf.Carneiro, alf. Duarte,sargento Teixeira e todos os outros de cujo nome não me lembro.

Junto seguem, digitalizados, o nome e as direcções da época relativas aos soldados do 1º pelotão, os meus queridos soldados, escritos pelo punho deles, e de quem brevemente espero novidades.



Domingos de Silva Alves, licenciado em línguas clássicas e professor do ensino secundário aposentado (Braga).

Telemóvel : 919454052

sexta-feira, 7 de maio de 2010