COMO É QUE A PTSD AFECTA A FAMÍLIA?
Comportamento de evitamento – Não falar, não pensar, não sentir e não confiar resume os principais comportamentos de evitamento – a companheira na tentativa de manter a coesão e funcionamento da família, exibe muitos dos mesmos sintomas, incluindo evitar aborrecê-lo ou incomodá-lo e acabando no processo, por se anestesiar emocionalmente.
Depressão – a maioria dos traumatizados, e sobretudo veteranos de guerra, encontra-se cronicamente deprimida, com baixa auto-estima, sentindo-se frequentemente rejeitada pelos outros, as parceiras dos veteranos ao preocuparem-se com os problemas dos outros, aumentam a ansiedade e sensação de desesperança apresentando baixa auto-estima.
Alienação e Isolamento – no caso dos veteranos de guerra, a companheira frequentemente queixa-se do isolamento que o veterano impõe à relação marital exigindo que o casal não saia de casa, evitando qualquer interacção com os outros e ressentindo as interacções que aquela possa iniciar. A alienação manifesta-se sobretudo em termos da incapacidade de apreciar e sentir as alegrias da vida.
Suicídio // Uso de Substâncias // Violência. Desconfiança // Ira – nos veteranos de guerra, existe muito a sensação de que foi traído. Este sentimento está associado à sensação frequente de que o inimigo está em todo o lado, podendo levar o veterano a remeter a sua ira para alvos que lhe estão mais perto e disponíveis como é o caso da esposa e dos filhos… muitas vezes, os familiares não sabem quando o veterano está a experienciar as suas memórias do trauma que habitualmente o fazem entrar em «piloto automático», desligar e ter comportamentos desadequados.
Embotamento Afectivo – O embotamento afectivo é o reverso da ira e consiste numa estratégia de coping que tem como consequência um afastamento e a não expressão de sentimentos de afectos em relação ao companheiro/a e/ou filhos. Este grau de distância permite, assim, lidar com a intolerância de qualquer aproximação emocional, o que implica que nestas famílias não existe expressão de afectos e a família possa ser descrita como «congelada».
PTSD E DINÂMICA CONJUGAL NOS VETERANOS DE GUERRA - As companheiras dos veteranos de guerra manifestam sintomas de somatização, depressão, problemas obsessivo-compulsivos, ansiedade, ideação paranóica, hospitalidade e dificuldade no funcionamento social… São também as esposas que aprendem a reconhecer o «gatilho» que precede os comportamentos erráticos dos medos e flashbacks do veterano de forma a poderem proteger os filhos. Este estudo ressalva o sofrimento da esposa do veterano e enfatiza a necessidade de a intervenção não ignorar este aspecto para que a probabilidade de a esposa responder ao veterano de uma forma que o possa retraumatizar, reforçando assim o seu distress, possa ser reduzida. Assim, toda a intervenção psicológica que se foque exclusivamente no traumatizado e ignore o contexto interpessoal reduzirá as possibilidades de êxito.
PTSD E CRIANÇAS - Em famílias com veteranos de guerra traumatizados, assiste-se muitas vezes a um isolamento das crianças porque o pai não consegue lidar com a pressão que tal acarreta, o que leva as crianças a sentirem-se indesejadas e inadequadas. Por sua vez, as mães tentam compensar, assistindo-se muitas vezes a um processo de emaranhamento… nestas famílias é também muito comum a presença de criticismo verbal que torna a relação com o pai ainda mais complicada se da parte do veterano existe uso de substâncias ou violência na família. Por sua vez, as crianças que sofrem de traumatização secundária podem assumir o papel de «salvador», e que tem como função manter o pai feliz fazendo desta forma uma aliança com este, o que poderá posteriormente trazer problemas sobretudo na adolescência quando começar a necessitar de se afastar e sentir que não o pode fazer porque tem de cuidar emocionalmente do pai. As crianças com traumatização secundária podem apresentar sentimentos ambivalentes em relação aos seus pais, sobretudo ao nível das lealdades, baixa auto-estima, problemas de rendimento escolar e de relacionamento interpessoal.
Enviado por: António Pinto Ramos
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